ITINERÁRIO ESPIRITUAL ADVENTO
Deus revela-se e “faz-se” carne no coração do mundo

TEMPO DA PREPARAÇÃO – figura: João Baptista e Isaías
TEMPO DO ACOLHIMENTO/Cristológico-mariano – figura: Maria
TEMPO DO TESTEMUNHO,DA ESPERANÇA – figura: mundo de hoje, a comunidade crente de hoje: leigos, sacerdotes, etc...
1. Advento, tempo da esperança Messiânica (tempo cristológico)
TEMPO DA PREPARAÇÃO (DV 4)
“Depois de ter falado muitas vezes e de muitos modos pelos profetas, falou-nos Deus nestes nossos dias, que são os últimos, através de Seu Filho (Heb. 1, 1-2). Com efeito, enviou o Seu Filho, isto é, o Verbo eterno, que ilumina todos os homens, para habitar entre os homens e manifestar-lhes a vida íntima de Deus (cfr. Jo. 1, 1-18)”. (DV 4)
(diapositivo 4)
A teologia litúrgica do Advento encaminha-se, nas duas linhas enunciadas pelo Calendário romano: à espera da Parusia, revivida com os textos messiânicos escatológicos do AT, e à perspectiva da incarnação do Verbo que plenifica o tempo e a história humana. O Deus que vem ao coração do mundo para dar Alegria, Encantamento, Verdade e Autenticidade a todo o homem.
(diapositivo 5)
Um tempo de esperança vivido na Igreja com a mesma oração que ressoava na assembleia cristã primitiva: o Marana-tha (Vem Senhor) ou Maran-atha (o Senhor vem) dos textos de Paulo (1 Cor 16,22) e do Apocalipse (Ap 22,20), que se encontra também na Didaché e, hoje, numa das aclamações da oração eucarística. Todo o Advento ressoa como um "Marana-tha" nas diferentes modulações que esta oração adquire nas preces da Igreja.
O tema da espera do Messias e a comemoração da preparação para o acontecimento salvífico atinge o auge nos dias que precedem o Natal. A Igreja sente-se submersa na leitura profética dos oráculos messiânicos. Lembra-se de nossos Pais na Fé, patrísticos e profetas, escuta Isaías, recorda o pequeno núcleo dos anawim (pobres) de Yahvé que está ali para esperá-lo: Zacarias, Isabel, João, José, Maria.
(diapositivo 6/7)
O Advento é, pois, como uma intensa e concreta celebração da longa espera na história da salvação, como o descobrimento do mistério de Cristo presente já no AT.
(diapositivo 8)
Recordam-se seus títulos messiânicos através das leituras bíblicas e das antífonas: Messias, Libertador, Salvador, Esperado das nações, Anunciado pelos profetas, Emanuel... Jesus é o centro da história, da história da salvação. (voltar ao diapositivo 7)
(diapositivo 9)
2. Advento tempo por excelência de Maria, a Virgem da espera: (tempo mariano)
TEMPO DO FIAT DE DEUS (“Faça-se”)
(diapositivo 10)
Historicamente a memória de Maria na liturgia surgiu com a leitura do Evangelho da Anunciação antes do Natal naquele que, com razão, foi chamado o domingo mariano prenatalício. Hoje o Advento recupera plenamente este sentido com uma série de elementos marianos da liturgia, que podemos sintetizar da seguinte maneira:
- Desde os primeiros dias do Advento há elementos que recordam a espera e o acolhimento do mistério de Cristo por parte da Virgem de Nazaré.
- dos dias 17 a 24 o protagonismo litúrgico da Virgem é muito característico nas leituras bíblicas, no terceiro prefácio de Advento que recorda a espera da Mãe, em algumas orações, como a do dia 20 de Dezembro que nos traz um antigo texto do Rótulo de Ravena ou na oração sobre as oferendas do IV domingo que é uma epiclesis significativa que une o mistério eucarístico com o mistério de Natal num paralelismo entre Maria e a Igreja na obra do único Espírito.
(diapositivo 11)
Alguns títulos evocativos de Maria no Advento:
- é a “Cheia de graça”, a “bendita entre as mulheres”, a “Virgem”, a “Serva do Senhor”...
- é a “Mulher nova, a nova Eva” (sem pecado) que aceita na fé o plano da salvação de Deus.
- é a “Filha de Sião” (livro de Miqueias – Maria que encarna o povo de Israel) , a que representa o Antigo e o Novo Israel.
- é a “Virgem do Fiat, do Sim”, a “Virgem fecunda”. É a Virgem da escuta e do acolhimento.
(diapositivo 12)
Advento é o tempo da “Filha de Sião”, “Virgem da espera” que no “Fiat” antecipa o Maranatha da Esposa; como Mãe do Verbo Encarnado, tornou possível a presença de Deus no mundo e na história do homem. Ela é a mulher do “sim” a Deus e “aos irmãos”. Ela fez da sua vida um dom, um serviço, uma entrega total.
E nós?.. (meditemos e façamos o exame de consciência se temos vivido à semelhança de Maria)
3. Advento, tempo da Igreja-Missão (tempo do testemunho da esperança – tempo eclesial – figura: mundo de hoje, a comunidade crente de hoje: leigos, sacerdotes, etc...)
TEMPO DO TESTEMUNHO
Toda a liturgia da Palavra do Advento oferece-nos testemunhos concretos de fé (Abraão, os Profetas, Maria e José, os discípulos…). De homens e mulheres que acolheram a Revelação de Deus em liberdade e como compromisso pessoal de cuidar deste preciso dom, que dá sentido ao nosso ser e ao nosso agir.
(diapositivo 14)
A liturgia do Advento acentua o carácter da espera e da esperança, da oração e da oração, universal de todos os povos:
- a Igreja ora por um Advento pleno e definitivo, por uma vinda de Cristo para todos os povos da terra que ainda não conheceram o Messias ou não reconhecem ainda ao único Salvador;
- a Igreja recupera no Advento a sua missão de anúncio do Messias a todas as gentes e a consciência de ser “reserva de esperança” para toda a humanidade, com a afirmação de que a salvação definitiva do mundo deve vir de Cristo com a sua definitiva presença escatológica;
- na renovada consciência de que Deus não desdiz as suas promessas – confirma-o o Natal! – a Igreja através do Advento renova a sua missão escatológica para o mundo, exercita a sua esperança, projecta a todos os homens um futuro messiânico do qual o Natal é primícia e confirmação preciosa.
(diapositivo 15)
O Advento não passa ao lado da história dos homens, fazer Advento é entrar no coração do mundo, e dar-lhe vida com a nossa própria vida, testemunhar com as nossas mãos, os nossos olhos e toda a nossa inteligência a presença de Deus na nossa vida concreta.
(diapositivo 16)
A espiritualidade do Advento resulta assim uma espiritualidade comprometida, um esforço feito pela comunidade para recuperar a consciência de ser Igreja aberta à humanidade, no acolhimento sincero e profundo das suas dores e das suas alegrias.
Sugestões / Interpelações finais:
(O Advento é um tempo de espera e de preparação. Nas quatro semanas que antecedem o Natal somos, por isso, convidados a esperar activamente Jesus que vem até nós por amor, preparando a nossa vida e o nosso interior, “enraizando-nos na Palavra” de Deus, fazendo da Palavra o nosso verdadeiro alimento, como refere o tema arquidiocesano do nosso ano pastoral, para deixarmos de ser uma cepa sem vida e passarmos a ser rebento novo, árvore frondosa e robusta…
Advento é tudo menos advento, pois já se pensa no natal… convite às pessoas à oração – fora da eucaristia... é difícil passar da teoria para actos concretos… Sim, é importante, por isso, que toda a comunidade cristã (crianças, adolescentes, jovens e adultos), individualmente e em grupo, se empenhe neste processo. O Natal não é o passado histórico, celebrado de forma mais ou menos romântica e folclórica, mas é o presente da fé comprometido com o futuro esperado e possível. DEUS não é o passado: É o hoje e o amanhã.)
- Como tornar o tempo do advento próximo da vida das pessoas? (dinâmicas… caminhadas…)
- Gestos concretos de acolhimento (na liturgia)... (sacramento da reconciliação…)
- Catequese visitar os doentes da comunidade... (esperança…)
- Valorizar a linguagem simbólica… (ir além dos símbolos... partir para a relação do tu a tu… apostar na oração da manhã/noite, na oração mariana)
CALENDÁRIO LITÚRGICO
I Domingo do Advento – dia 27 de Novembro
(Mc 13, 33-37) «Vigiai, porque não sabeis quando virá o dono da casa»
II Domingo do Advento – dia 04 de Dezembro
(Mc 1, 1-6) «Endireitai os caminhos do Senhor»
III Domingo do Advento – dia 11 de Dezembro
(Jo 1, 6-8, 19-28) «No meio de vós está Alguém que não conheceis»
IV Domingo do Advento – dia 18 de Dezembro
(Lc 1, 26-38) «Conceberás e darás à luz um Filho»
Noite de Natal – dia 24 de Dezembro
(Lc 2, 1-14) «Nasceu-vos hoje um Salvador»
Dia de Natal – dia 25 de Dezembro
(Jo 1, 1-18) «O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós»
Dia de Santa Maria – dia 01 de Janeiro
(Lc 2,16-21) «Encontraram Maria, José e o Menino. E depois de oito dias deram-Lhe o nome de Jesus»
Epifania do Senhor – dia 08 de Janeiro
(Mt 2,1-12) «Viemos do Oriente adorar o Rei»
Batismo do Senhor – dia 09 Janeiro
(Jo 1, 6-8, 19-28) «No meio de vós está Alguém que não conheceis»
( Pe Paulo Jorge Sá e vários...)